Black Friday em ano de pandemia

O mundo passou por grandes mudanças em 2020, sejam físicas ou comportamentais. O fato de estarmos mais tempo em casa mudou a forma como lidamos com o nosso lar: o espaço que, antes, era apenas de descanso, se transformou também em ambiente de trabalho e estudo.

Somados às necessidades de isolamento social, todos esses comportamentos impactaram a forma com que lidamos com as compras virtuais e tiveram influência na Black Friday 2020.

Celebrada no dia 27 de novembro, a última edição do evento de descontos do varejo não teve o resultado esperado pelos lojistas, em grande parte, por conta das transformações no comportamento do consumidor.

Compra virtual

A fim de evitar aglomerações e prevenir a contaminação pelo novo coronavírus, muitos consumidores optaram por fazer compras no ambiente virtual. Dados da consultoria Ebit/Nielsen apontam que as lojas on-line movimentaram R$ 3,1 bilhões apenas no dia 27 de novembro de 2020, o que representa aumento de 24,8% em relação à Black Friday de 2019.

Por outro lado, as vendas nas lojas físicas não ocorreram como o esperado e sofreram retração de 25,5%, mesmo com descontos atrativos. Poucas pessoas arriscaram-se a visitar esses locais para fazer as compras. De qualquer forma, a Black Friday 2020 gerou 4,6 milhões em vendas com ticket médio de R$ 679.

Pesquisa e planejamento

A retração econômica e a redução do poder de compra fez com que muitos consumidores adotassem uma postura mais racional na Black Friday 2020. Pesquisa e planejamento tornaram-se palavras de ordem para quem pretendia adquirir algum produto durante o evento de descontos anual.

Prova disso é que muitas lojas perceberam que o comportamento do consumidor mudou ao longo do ano e investiram no “esquenta”. Promoções e descontos especiais, oferecidos no aplicativo de lojas durante todo o mês ou apenas na semana da Black Friday, surtiram efeito.

Cautelosos, os consumidores buscaram informações sobre produtos e preços. Dessa forma, na semana da Black Friday 2020, as vendas aumentaram 30% quando comparadas ao ano anterior.

Setores em crescimento

Alguns departamentos que sempre estiveram entre os campeões de vendas durante o evento de descontos se viram com dificuldades no ano passado. Turismo, transporte, cosmético, higiene pessoal e vestuário estão entre os setores que tiveram retração nas vendas.

Diante da incerteza de quando a pandemia deve acabar e os eventos presenciais poderão retornar com força total, as pessoas deixaram de consumir produtos e serviços relacionados a esses setores. Por outro lado, houve aumento na venda de materiais de construção, além de produtos de farmácias, drogarias e pet shops.

Novamente, isso ocorreu devido ao comportamento do consumidor, que, por estar mais tempo em casa, passou a reestruturar e melhorar ambientes com pequenas reformas. A preocupação com o autocuidado e a adoção de bichos de estimação também justificam o incremento nas vendas desses segmentos.

Expectativa para 2021

Para ter sucesso durante a Black Friday, é preciso prestar muita atenção ao que acontece na sociedade e no comportamento do consumidor. A perspectiva do fim do isolamento social pode dar um incremento em produtos e serviços relacionados ao bem-estar mental, como viagens, spas e experiências.

De outro modo, a ideia de manter o home office trará aumento na venda de produtos para escritório, como móveis e itens de papelaria, para facilitar o dia a dia e trazer ergonomia. Os equipamentos eletrônicos, como computadores e smartphones, seguem sempre em alta e, se tiverem descontos realmente atrativos, têm tudo para ser sucesso neste ano. Produtos que facilitem a integração entre casa, trabalho e estudo, trazendo praticidade e dinamismo para o dia a dia, tendem a ser sucessos. Isso inclui robôs aspiradores, assistentes virtuais e aparelhos com alta conectividade, que possibilitem adiantar compras e até refeições. Então, é bom prestar atenção neles!

Deixe comentário